4ª MOSTRA DE CINEMA FEMINISTA

costuras, amarras, a luta está em tecer diálogos.

linhas para alcançar umas as outras, nos pontos dados para

permanecermos juntas, fortes e na busca da desconstrução do patriarcado!

Programação online

A Coletiva Malva iniciou seus trabalhos em 2015, junto à Diversas – Feminismo, Arte e Resistência, movimento no qual centenas de mulheres se reuniram para produzir um festival de arte que contemplasse a diversidade da arte feita por mulher e a diversidade da própria mulher. Esse chamado fez com que as malvas viessem a se encontrar pelo simples fato de gostarem de cinema. Tão simples quanto o cinema nos fisgar, foi continuarmos juntas, convocando também nossos chamados.

 

Somos 4 mulheres que atuam em áreas distintas entre si. As orientações seguem a história, educação, antropologia, sociologia, psicanálise, artes visuais e comunicação. Estamos juntas para pensarmos o cinema, as imagens e suas implicações na coletividade e nas subjetividades.

 

A Mostra de Cinema Feminista surgiu em um contexto político de lutas que se somam por direito à moradia, educação, pelo fim dos manicômios, contra o racismo, homofobia, machismo e misoginia, enfim… Essas lutas estão juntas para reverter um cenário de opressão, violência e arbitrariedades geradas pelo patriarcado e pelo capitalismo, principalmente contra mulheres e, mais ainda, contra mulheres negras.

 

Mais um ano se passou… Em 2017 os golpes contra a democracia seguiram e as mulheres são as que mais sentem no corpo e na alma as investiduras amargas do sistema.

 

Diante deste cenário, a 4ª Mostra de Cinema Feminista de 2018 convida todas e todos a comparecerem no Sesc Palladium, dos dias 08 a 16 de março, onde serão exibidos filmes feitos por realizadoras além de contar com a presença de convidadas para debates após o fim da sessão.

 

O que se vê e como se mostra

 

A mulher é representada – no cinema e nas artes, em geral – a partir da perspectiva do ideal, seja ele dos céus ou dos infernos. Neste sentido, falar da mulher é falar do que não existe, é falar de como nós somos faladas. Instalada num lugar de objeto, a mulher ficava à mercê de representações a partir de um lugar que não a representava, paradigma de uma cultura machista e consumista. A Coletiva Malva se propôs o desafio de realizar uma mostra com a intenção de propagar um discurso mais combativo, mais resistente e mais adequado ao real.

 

Fazemos parte de uma rede amplificada de vozes que, hoje, cada vez mais, se autorizam discorrerem uma escritura ou pegar uma câmera e se fazerem ver: ver o que nós dizemos, como nos mostramos, ver entre imagens de arquivo e ficcionais, de onde, de fato, surgem as imagens. Representar a mulher pela mulher é conectar-se às memórias, ao corpo, à escrita de si, à imagem de si. Está ali sua história, seu estilo de narrativa, seu olhar.

 

Optamos por concatenar filmes que abordam a mesma temática numa mesma sessão ou no mesmo dia com o desejo de amplificar os diálogos, a partir da construção de debates cujo panorama social e político sejam contemplados. Trata-se de encetar um novo discurso, que ele produza um laço social diferenciado ao resgatar e nomear corpos e falas invisibilizadas e nesse sentido recusamos qualquer filme cuja abordagem seja violenta ou que reproduza opressão e violência. Neste sentido também foi pensada a arte para esta edição. A costura que desenha o nome da Mostra traz a marca inconfundível do feminino, mas que circula em lugares que antes não era permitido estarmos e demarca os novos laços que estão sendo gerados pelo trabalho que a agulha e a linha fazem juntas.

 

Ao contrário do que se possa supor devido ao recorte tão delimitado da Mostra – o feminismo – os filmes que temos recebido estão para além de serem filmes de tema. Encontramos com obras que contemplam temáticas de cunho social, político e econômico que abordam questões como genocídio de jovens negras e negros, cotas, ditadura, ocupação, movimentos sociais, LGBT, aborto, memória, tradições culturais, tráfico de pessoas, imigração, abuso sexual de crianças e mulheres.

Estamos percebendo, com o passar dos anos, que a importância da linguagem enquanto narrativa, o que se mostra e como se mostra, só faz emancipar o cinema feito por e com mulheres. Neste sentido, delimitamos que o que será também um requisito serão filmes onde é possível perceber o fazer com, seja equipe ou personagens.

 

A sessão de abertura do festival alinha filmes que demonstram essa questão. Fantasia de Índio, da diretora Manuela Andrade, nos revela uma cineasta em busca de sua ascendência indígena, a dificuldade de se encontrar vestígios para esse encontro com sua ancestralidade devido ao apagamento recorrente na história do Brasil sobre a questão indígena e o surgimento de uma construção de estereótipos e do imaginário em decorrência desse apagamento. É um filme que manifesta uma busca pessoal e que tem como parceiros um coletivo indígena – Ororubá Filmes.

 

Tentei, de Laís Melo, é um filme exemplar no que se refere ao respeito preconizado pelo olhar que a câmera nos proporciona, tornando-se cúmplice e companheira da personagem Glória, que representa uma das milhares de mulheres em situação de violência a que são submetidas pelos homens que amam. O estupro paira no ar, mas ele não é representado, encenado. Assim, o que o espectador vê é a concepção de uma cineasta de como tal temática é perpetuada pelo seu ponto de vista, com um trabalho exemplar de som em que os pontos de silenciamentos não são meras metáforas.

 

Uma sessão sobre o feminismo negro, marca e faz avançar com um debate após a sessão como o cinema feito por mulher negra tem sido recorrente e libertador. Este ano, a temática que esteve mais presente durante o processo de curadoria foi a questão racial trazendo a importância do lugar de fala de cada mulher negra que se faz presente neste contexto, abordando questões que vão desde sua origem e ancestralidade, passando por questões de gênero, como em Maria, memória como em Casca de Baobá, de Mariana Luiza, questões políticas e históricas como no filme Em busca de Lélia, de Beatriz Vieirah. Além de outras questões como a parceria amorosa, preconceito. Uma triste constatação é que, apesar de ter sido a temática recorrente nas inscrições, infelizmente ainda temos poucas realizadoras negras trazendo seus filmes.

 

Outro tema bastante abordado se refere à maternidade sob vários pontos de vista. A temática sobre o aborto e gravidez na adolescência é apresentada por dois filmes: Fervendo, de Camila Gregório e Las Mujeres Decidem, da diretora Xiana Yago. O filme Memorándum, de Jennifer Lara, nos mostra vestígios de violência e opressão em uma maternidade no Chile durante a ditadura. Ama, de Silvina Estéves, revela uma mulher e todo seu mal-estar relativos ao seu novo estado e Simbiose, de Júlia Morim, nos faz conhecer uma parteira e seu estilo encantador que trouxe ao mundo centenas de crianças. Para fechar essa temática, convidamos Fabiana Leite, diretora do filme Lírios não nascem da lei que traz como questão o encarceramento de mulheres e crianças em uma perspectiva diferente de outros filmes sobre o tema. O reconhecimento de uma personagem de que “falar dói” aponta para a escuta dos desejos e frustrações de cada mulher encarcerada com seu filho cuja voz é silenciada pelo sistema prisional vigente no Brasil.

 

Outro tema que a mostra privilegia aborda a questão da transexualidade. Iremos exibir dois filmes – Female to me , Tailor – de Cali dos Santos um homem trans, além de ter a honra de ter Maria, da diretora Elen Linth, na nossa programação. Um filme extremamente sensível à questão já que podemos perceber o reconhecimento de artistas transexuais, pois o filme leva o nome da personagem. Sim, Maria, mulher trans, protagoniza e eleva o curta à dimensão do sublime.

 

O audiovisual tem privilegiado que a dialética do olhar se faça presente quando somos bombardeadas pela imprensa corporativa ou pelo cinema hollywoodiano, onde se propaga o discurso totalitário. Uma curadoria pressupõe uma disposição, uma disponibilidade do olhar – ver e ser visto. O que vemos, o que queremos ver, como gostaríamos de sermos vistas são questões que nos colocam a trabalho.

 

A nós foram destinadas obras. E o nosso desejo é transmiti-las! A partir da imprevisibilidade e diversidade de conteúdo que chegaria, as sessões foram pensadas considerando o cinema como instrumento de memória, transmissão e transformação. Com cerca de 380 filmes inscritos, entre documentais e ficcionais, longas, médias e curtas, fizemos o exercício de pensar as questões que nos chegam pelas imagens. E o cinema dessas mulheres pode deixar entrever, no entre-imagens ou nos silêncios, o que não pode ser visto, os traumas da violência e da opressão, o que ficou exatamente no tempo vazio, entre um frame e outro.

 

É a partir daí que nos re-inventamos.

Agradecemos as realizadoras por esta vivência!

Daniela Pimentel

 

 

 

 

 

 

 

FILMES SELECIONADOS

EDITAL – 4ª MOSTRA DE CINEMA FEMINISTA

É com muita alegria que a Coletiva Malva anuncia o Edital da 4ª Mostra de Cinema Feminista. Dando continuidade às propostas das três mostras anteriores de exibição da produção de mulheres que traz seu olhar múltiplo à experiência do cinema nacional. Afirmamos e reiteramos que por feminista entendemos toda produção feita por mulheres, trans ou cis que insurge em um cenário do cinema ainda dominado por homens, brancos, cis, supostamente heterossexuais e de classe média / alta. Estamos conjuntamente na luta pela visibilidade e fortalecimento das culturas negras, indígenas, camponesas, LGBTIQ’s e as convidamos para inscrever seus filmes de 13 de setembro a 14 de outubro.

Inscrição:

goo.gl/6JzSAm 

https://filmmakers.festhome.com/f/3383

www.movibeta.com

1. SOBRE A MOSTRA DE CINEMA FEMINISTA
Com curadoria de Daniela Pimentel, Letícia Souza, Mirela Persichini e Rita Boechat a 4ª Mostra de Cinema Feminista é realizada pela Coletiva Malva e acontecerá na cidade de Belo Horizonte – MG na semana do 8 de março de 2018. A curadoria prima pela diversidade, importância dos temas e da representatividade. A mostra exibirá filme dirigidos ou co-dirigidos por mulheres e não tem caráter competitivo.
A Coletiva Malva acredita que o cinema se traduz como mecanismo de produção de significados e representação social, com destaque para a forma como ele retrata/reforça/sustenta ou questiona as diferenças entre as relações de gênero, sexuais e étnico-raciais. O setor audiovisual como um todo, reflete e (re)produz paradigmas falocêntricos e misóginos em aspectos distintos: na forma como historicamente a mulher é retratada dentro da narrativa cinematográfica e na exclusão e não aceitação da ocupação da mulher nos cargos e na construção do pensamento audiovisual brasileiro. Assim, esta Mostra busca criar espaços de difusão, integração e preservação da produção audiovisual feita por mulheres em âmbito nacional.
Em sua primeira edição, em 2015, a mostra exibiu 21 filmes, produzidos em três estados Brasília, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Na segunda mostra, foram 53 filmes contemplando cerca de 12 estados. Na primeira e segunda edição a proposta ocupou espaços públicos e culturais da cidade levando em si, a prerrogativa da diversidade também nos locais de exibição. Em sua última edição, firmamos uma parceria com SESC Palladium que somou a força da sala de cinema pública com a potência da mostra, trazendo mais de 800 pessoas para a sala em 5 dias e exibindo 43 filmes realizados por diretoras de todo o país e internacionais. Todo esse processo, ainda em construção, demonstra o quanto o mercado audiovisual para a mulher urge por espaços como este.
É a partir da produção incessante e embativa do olhar feminino ao devolver sua estética, sua dimensão, seu corpo, seu devir feminista à comunidade através de materiais audiovisuais que desenvolvemos, desde 2015, a Mostra de Cinema Feminista. Testemunhamos o cinema realizado por mulheres como balizador das insurgências contra o machismo, o feminicídio, a cultura do estupro, assédio e agressões aos nossos corpos, mas que se consagra no enfrentamento do dia a dia à composição machista e totalizante do cinema nacional e global. Estamos conjuntamente na luta pela visibilidade e fortalecimento das culturas negras, indígenas, camponesas, LGBTIQ’s e partimos do pressuposto que mulher é todo ser humano que se identifica enquanto mulher.

2. CONDIÇÕES INSCRIÇÃO
2.1 Serão aceitas obras de curta e longa duração, de todos os gêneros (ficção, documentário, animação, híbrido), finalizados em formato digital entre 2016 e 2017, dirigidos ou co-dirigidos por mulheres.
2.2 A inscrição deverá ser feita pela realizadora ou pessoa responsável pela produção e/ou distribuição do vídeo.
2.3 O período de inscrição vai de 13 de setembro de 2017 a 14 de outubro de 2017 (até 23:59 horas – horário de Brasília).
2.4 A inscrição é gratuita e está disponível pelo formulário: goo.gl/6JzSAm
2.5 A inscrição só será considerada válida após o envio do formulário de inscrição com os itens obrigatórios preenchidos.
2.6 Não serão aceitas inscrições de obras ainda não concluídas, assim como também não serão aceitos vídeos publicitários e/ou institucionais.
2.7 A direção da Mostra se reserva ao direito de convidar filmes não-inscritos para compor a programação.

3 PROCEDIMENTOS PARA INSCRIÇÃO
3.1 É imprescindível, para finalização da inscrição online, o cadastro do link do filme, com a senha, para visualização.
3.2 O arquivo do filme enviado no link de inscrição ou a cópia material será o arquivo exibido na Mostra. Sendo assim, envie na melhor qualidade possível.
3.3 Serão aceitos o envio da cópia do filme digital em Quicktime (.mov) codec H.264. DVD Bluray. Neste caso o envio da mídia deve ser postado até a data limite deste edital para o endereço Rua Corumbataí, 75 – Lagoinha – Belo Horizonte – MG, CEP: 31110-350.
3.4 Será possível realizar a inscrição de mais de uma obra, mediante a realização de um novo cadastro.
3.5 A Mostra não cobrirá despesas ou taxas relativas ao envio de quaisquer materiais para a seleção. As mesmas ficam a cargo da pessoa responsável pela inscrição da obra.
Único:As cópias enviadas para fins de exibição da mostra não serão devolvidas e comporão o acervo da Coletiva.

4 DA SELEÇÃO
4.1 Todos os filmes enviados passarão por curadoria.
4.2 A lista das obras selecionadas será divulgada no dia 12 de janeiro de 2018 no site www.coletivamalva.com
4.3 Serão critérios para seleção dos filmes na mostra, na seguinte ordem de relevância: originalidade e criatividade, diversidade étnica, diversidade de autoria, diversidade temática, acessibilidade, qualidade técnica e exclusividade de autoria de mulheres.
Único: Como a acessibilidade configura critério de desempate, filmes em língua estrangeira deverão ter legenda em português.

DISPOSIÇÕES GERAIS
A inscrição na Mostra de Cinema Feminista supõe a aceitação dos seguintes requisitos:
6.1 A organização da Mostra reserva-se ao direito de catalogar os filmes enviados em seu acervo.
6.3 Imagens still, cartazes, teasers ou trailers e trechos de até 3 minutos das obras selecionadas poderão ser utilizados pela Mostra estritamente para fins de divulgação do evento e sua programação em qualquer meio de comunicação. Reservando-se a exibição do filme em outros meios com a devida autorização prévia da realizadora.
6.4 A pessoa responsável pela inscrição declara, no ato da inscrição, que a realizadora da obra é a detentora de todos os direitos cabíveis, e que todos os elementos ou qualquer tipo de trabalho utilizados na obra inscrita, incluindo a trilha sonora e imagens de arquivo, não violam qualquer direito de uso de imagem ou de propriedade intelectual de terceiros, concordando, dessa forma, o responsável pela inscrição, em assumir exclusiva responsabilidade legal por uma eventual reclamação, ação judicial ou litígio, seja direta ou indiretamente decorrente da exibição ou uso dos trabalhos.
6.5 O envio do formulário de inscrição online implica na aceitação deste regulamento.
6.6 Os casos omissos neste regulamento serão dirimidos pela organização da Mostra, sendo a decisão irrevogável.

Racistas, fascistas, machistas e LGBTIQfóbicas, NÃO PASSARÃO!

Belo Horizonte, 12 de setembro de 2017.

Seguimos Juntas!!!