5ª MOSTRA DE CINEMA FEMINISTA

Na programação que será de 17 a 26 maio, além da exibição de 82 filmes, serão feitos debates temáticos a partir da construção dos filmes.

Aessandra Brito

 

 

 QUE SOM TEM A DISTÂNCIA | Marcela Schild  |  RS – Brasil | 2018 | Do

A 5ª MOSTRA DE CINEMA FEMINISTA, por tradição e por militância, acontece na semana do 8 de março desde sua primeira edição. Vinda da rua, lugar onde se fez necessário assumir os diversos feminismos em pauta, nesta edição serão exibidos 82 filmes dirigidos por mulheres entre produções nacionais e internacionais ultrapassando a quantidade de horas exibidas no ano anterior. A mostra apresenta ao público neste ano um discurso mais determinado e politizado. Assumindo o lugar da resistência como postura diante do cenário político-social atual a Coletiva Malva nomeia a quinta edição de Mulheres Valentes. A construção estética e de comunicação da Mostra parte da concepção de destacar trajetórias de mulheres que marcaram e marcam a história do país, procurando ao mesmo tempo jogar com informações subliminares ou às escondidas, trazendo à tona a reflexão sobre a retomada da censura no país, os silenciamentos cotidianos e o aumento do número de feminicídios no Brasil. Mirela Persichini responsável pela comunicação e o projeto estético além de curadora da mostra comenta sua visão “A comunicação da Coletiva Malva é atrelada ao processo de curadoria, o desejo é passar através da arte e da divulgação uma prévia do que será exibido no cinema. Esse ano recebemos muitos filmes sobre o enfrentamento e o embate que as mulheres tem contra o patriarcado, o machismo, o racismo, a lgbtfobia e a luta antimanicomial. Sendo a 5 mostra elegemos 5 mulheres brasileiras que se empenharam para transformar a ordem vigente”. Dentre as cinco mulheres homenageadas estão, Marielle Franco vereadora pelo PSOL-Rio de Janeiro foi relatora da comissão de monitoramento da intervenção militar no Rio de Janeiro, como parlamentar atuou na defesa dos direitos humanos e denúncias de abuso de poder, foi brutalmente assassinada por milicianos no início do ano passado e Nise da Silveira médica psiquiatra, pioneira do movimento antimanicomial, revolucionou o uso da terapia ocupacional, responsável também pela introdução da psicologia junguiana no Brasil foi presa pela ditadura varguista e duramente perseguida pela ditadura militar. A entrada é gratuita, e a programação acontece entre 17 horas e 22 horas.

 

PORTEADORAS AS ESCRAVAS DO SUL | Amparo Climent |10 min | Espanha | 2018 | Doc

A Coletiva Malva afirma ter montado uma Mostra potente, promotora da diversidade, proporcionando a proximidade do público à multiplicidade do cinema feito por mulheres no Brasil e no mundo! Na programação, a missão de dar visibilidade às produções cinematográficas realizadas por mulheres, uniu-se à concepção do cinema feminista como balizador das insurgências contra a misoginia, o feminicídio, a cultura do estupro, assédio e agressões aos corpos femininos, principalmente negras, trans e periféricas. Para além também das lutas cotidianas das mulheres a curadoria considerou as diversidades, a interseccionalidade, os olhares e cosmologias que mesmo que originárias de mundos distantes mostraram ser essencialmente familiares entre si. A mostra portanto coloca em debate o cinema feito por mulheres e o que de novo esses outros olhares podem trazer ao panorama nacional e internacional do audiovisual.

Mesmo com toda a potência que a mostra apresenta, o número de filmes nacionais contemporâneos contemplados esse ano diminuiu. Do ponto de vista de uma das idealizadoras e curadoras da mostra Rita Boechat “A queda no número de inscrição e a consecutiva diminuição na exibição de filmes nacionais na Mostra é reflexo, para nós da Coletiva, dos golpismos que viemos sofrendo de 3 anos prá cá. As mostras de cinema contemporâneas refletem em sua janela de dois anos de produção do cinema nacional aquilo que o país e os agrupamentos sociais vivem e estão reproduzindo e além disso, os possíveis resultados da falta de incentivo e políticas culturais no setor.” Além da diminuição dos filmes nacionais na M.C.F a Coletiva Malva também lamenta a suspensão do Prêmio Exibe Minas um dos principais instrumentos de manutenção e fomento de mostras mineiras, argumenta Daniela Pimentel também idealizadora e curadora da mostra “Por meio da Secretaria do Estado de Cultura o Exibe Minas foi um programa que incentivou a cadeia produtiva com a premiação de festivais, mostras e cineclubes. O prêmio era um incentivo  e uma forma de fomentar e estimular projetos que pretendem uma visibilidade de temáticas que não são contempladas no circuito comercial. O retorno para o cidadão é certo. Infelizmente, no finalzinho do ano passado, o governo do Estado cancelou o pagamento do prêmio, inviabilizando uma série de atividades que visam a formação do público. Esta ingerência no que diz respeito à cultura tem como consequência última mais uma leva de profissionais sem emprego.”

Programação

para baixar https://drive.google.com/open?id=1nyAGEPh4LBnGANtf7Bw23rkTekR2–ba